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EM UM JURUNAS-MARAMBAIA


Vermelho, o sinal fechou!



Nossos veículos se emparelharam...

Eu no ônibus, voltando do trabalho e ela em um Palio azul, provavelmente voltando da escola, pois vestia um tipo de uniforme. Eu com meu fone de ouvido e ela com uma boneca no colo. Eu em pé, olhado a janela e ela sentada, olhando a janela. A mesma janela.


Verde! O sinal abriu! 



Meu ônibus andou três metros...

Chovia forte, engarrafamento enorme, ônibus lotado e um vendedor de guarda-chuva aos berros. Barulho da água caindo, barulho das buzinas, barulho das pessoas reclamando e um grito de "um é 20, dois por 30".


Vermelho de novo!



Novamente meu ônibus ficou lado à lado com aquele carro. Esta coincidência, naturalmente, trouxe dois sorrisos - um meu e um dela, a menina do Palio azul.

Ela apontou para os seus dois ouvidos, meio que perguntando sobre o meu fone que lhe chamou atenção. Sorri, fiz uma careta e apontei para sua boneca. Ela sorriu de volta, devolveu a careta, e assim foram todas as vezes que os nossos veículos se encontravam ao longo da alternância de sinais...a cada gesto engraçado de um, mais duas risadas generosas.  


O engarrafamento, mesmo com o ônibus quase sem andar, já não me parecia mais tão longo; a voz estridente e cada vez mais alta do vendedor de guarda-chuva não mais ladrava aos meus ouvidos.



Verde, foi o último sinal.



Infelizmente o enorme engarrafamento chegou ao fim. Nossos veículos apontavam para horizontes distintos. Dei um "tchau" com a mão e fiz um "poxa" com as sobrancelhas. Ela mandou um beijo e fechou sua janela, mas, antes do seu carro partir, fez um desenho usando a água que embaçava o vidro. Um desenho conhecido universalmente pelo contorno e preenchimento...

Vermelho.



Cleydson Ramones




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