Pular para o conteúdo principal

EM UM GUAMÁ-CONSELHEIRO: NA PONTINHA DO PÉ




Acho tão encantador quando uma baixinha no ônibus se esforça para alcançar a corda do sinal. Seu corpo alonga-se, deixando o dorso completamente esticado. 

Na pontinha do pé, com a coluna toda ereta e mais o suave e doce deslizar da cintura na lateral de uma das cadeiras, para apoiar-se, faz seu bumbum arrebitar de maneira sublime. 

- Rapaz, podes puxar o sinal pra mim?

Agora, nesse momento tão especial de minha vida, queria que ela me pedisse qualquer coisa do mundo, menos isso. Não quero perder esta cena tão mágica que nem Michelangelo, Rodin, Donatello e Van Gogh, juntos e no auge de seus talentos, seriam capazes de reproduzir ou moldar. Inexiste arte maior que as linhas e traços do corpo feminino. A prova concreta que Deus existe está justamente nas curvas da mulher - apenas mãos divinas seriam capazes da perfeição de tal obra. 

- Puxe você mesma, moça. Vai, você consegue.
(em tom de sussurro)

Na pontinha de sua "Melissa" amarela, com o charme e a leveza de uma bailarina em equilíbrio, ela impulsionou os seus delicados pés, movimentou o quadril, estufou o peitoral, mordeu a ponta dos lábios, mirou a cordinha e deslizou seus dedos acariciando aquele pedaço de barbante, cujo meu desejo é que fosse os fios de minha barba. 

Ela não teve medo, e puxou. Não caiu, pois meus olhos ajudaram a segurar o seu corpo enquanto ela flutuava em direção à corda, feito uma borboleta no ar. 

Espero que o motorista tenha problema de surdez. Assim, ela terá que repetir tudo novamente. 

- Motoristaaaaa! Eu puxei o sinal 3 vezes. 



Cleydson Ramones


Postagens mais visitadas deste blog

CARTA ABERTA A ZENALDO

Belém, 27 de novembro de 2016.
Caro Prefeito,

Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Zenada! Zenada! Zenada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! 
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nariz de Palhaço!!! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! 
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! 
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nanismo Político!!! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nada! Nada! Nada! Nada! Nada! Nada!
Nad…

8 DE MARÇO

Ah, se as mulheres...

Soubessem como é bom encontrá-las despenteadas, como ficam provocantes andando descalças pela casa e que não precisam fingir dor de cabeça.

Soubessem que o mais simples vestido em seu corpo se torna deslumbrante, que muita maquiagem esconde a essência e que versões editadas são chatas.

As, se as mulheres...

Soubessem como é hipnotizante vê-las lambendo os dedos após comer algo, como é gostoso apertar aquela carninha sobrando em seu cintura e que o natural também nos comove. 

Soubessem que apenas um sorriso seu é mais valioso que mil DR's de mil horas, como ficam atraentes quando usam um de nossos blusões e que as vezes menos é mais.

Ah, se as mulheres...

Soubessem como são sensuais ao ficarem na pontinha do pé para pegar a lata de ervilha em cima do armário. Soubessem como o perfume que exala diretamente de seus poros nos embriaga. Soubessem que elas por si só já nos fascinam.

Ah, se as mulheres soubessem. 



( Cleydson Ramones )





MINHA PUTA LITERÁRIA

Cada trecho escrito, um gemido
Cada letra no papel, um sussurro

Vontade de ir mais fundo,
até a última linha
De lhe tirar o fôlego, as palavras
De fazê-la provar cada gota da caneta
De usar suas costas feito um papel, 
e assinar o meu nome

Minha
Ela gosta de ouvir - minha
"Repete, por favor" - minha

A escrita relembrando nossas transas
é um momento de suspiro,
de gozo
Uma mão no lápis,
a outra na imaginação
E o seu corpo nu na cama
é como um livro aberto
na minha página favorita

Minha
Quero ouvir a tua voz - "sua"
Repete, gemendo - "sua".



( Cleydson Ramones )