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O FIAPO DE UMA ERA




Sempre achei estranho postar uma foto de si mesmo para ilustrar um texto, mas nesse caso é inevitável...

Tive que tirar a minha linda, máscula, sedosa, cheirosa e heterossexual barba, pois o calor de Belém está "com embaçamento". 

Tudo tem limite!

Deixei a barba crescer porque fui contratado para ser Jesus em uma peça de teatro. O projeto não foi para frente, porém, criei e escrevi um outro personagem para aproveitar a barba já crescida. 

O personagem rendeu, e o que era pra ser apenas um ou dois roteiros, acabou virando uma temporada inteira bem sucedida.

A barba me trouxe status, dinheiro, drogas e, o principal, mulheres interessantes - muitas! Várias! De todos os tipos!

[ inclusive com barba ] 

Mas tudo na vida chega a um fim, e, assim como os Beatles, resolvi parar no auge...raspei toda a minha barba. É duro dizer e aceitar isso, mas é o fim de uma "Era de Ouro".

Escrevo este texto com dor no coração, olhos marejados e assistindo a um capítulo da "novela das 8", ou "das 9", ou "das 10"...ah, nunca sei direito! Vive mudando!

Quem sabe um dia, mais maduro e digno de carregar esse poder que torna todo homem um verdadeiro mutante do X-men, eu encontre a minha barba novamente por aí.

Onde quer que esteja, seja no ralo de um banheiro ou nas lâminas de uma gillette enferrujada, lembre-se das nossas noites juntos em que, na falta de um corpo feminino, foste tu quem me acaloraste (lágrimas). 

Já estou com saudades, minha barba. 
Beijos e um cafuné.


- Cleydson Ramones






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8 DE MARÇO

Ah, se as mulheres...

Soubessem como é bom encontrá-las despenteadas, como ficam provocantes andando descalças pela casa e que não precisam fingir dor de cabeça.

Soubessem que o mais simples vestido em seu corpo se torna deslumbrante, que muita maquiagem esconde a essência e que versões editadas são chatas.

As, se as mulheres...

Soubessem como é hipnotizante vê-las lambendo os dedos após comer algo, como é gostoso apertar aquela carninha sobrando em seu cintura e que o natural também nos comove. 

Soubessem que apenas um sorriso seu é mais valioso que mil DR's de mil horas, como ficam atraentes quando usam um de nossos blusões e que as vezes menos é mais.

Ah, se as mulheres...

Soubessem como são sensuais ao ficarem na pontinha do pé para pegar a lata de ervilha em cima do armário. Soubessem como o perfume que exala diretamente de seus poros nos embriaga. Soubessem que elas por si só já nos fascinam.

Ah, se as mulheres soubessem. 



( Cleydson Ramones )





MINHA PUTA LITERÁRIA

Cada trecho escrito, um gemido
Cada letra no papel, um sussurro

Vontade de ir mais fundo,
até a última linha
De lhe tirar o fôlego, as palavras
De fazê-la provar cada gota da caneta
De usar suas costas feito um papel, 
e assinar o meu nome

Minha
Ela gosta de ouvir - minha
"Repete, por favor" - minha

A escrita relembrando nossas transas
é um momento de suspiro,
de gozo
Uma mão no lápis,
a outra na imaginação
E o seu corpo nu na cama
é como um livro aberto
na minha página favorita

Minha
Quero ouvir a tua voz - "sua"
Repete, gemendo - "sua".



( Cleydson Ramones )



EM UM JURUNAS-MARAMBAIA

Vermelho, o sinal fechou!


Nossos veículos se emparelharam...
Eu no ônibus, voltando do trabalho e ela em um Palio azul, provavelmente voltando da escola, pois vestia um tipo de uniforme. Eu com meu fone de ouvido e ela com uma boneca no colo. Eu em pé, olhado a janela e ela sentada, olhando a janela. A mesma janela.

Verde! O sinal abriu! 


Meu ônibus andou três metros...

Chovia forte, engarrafamento enorme, ônibus lotado e um vendedor de guarda-chuva aos berros. Barulho da água caindo, barulho das buzinas, barulho das pessoas reclamando e um grito de "um é 20, dois por 30".


Vermelho de novo!


Novamente meu ônibus ficou lado à lado com aquele carro. Esta coincidência, naturalmente, trouxe dois sorrisos - um meu e um dela, a menina do Palio azul.

Ela apontou para os seus dois ouvidos, meio que perguntando sobre o meu fone que lhe chamou atenção. Sorri, fiz uma careta e apontei para sua boneca. Ela sorriu de volta, devolveu a careta, e assim foram todas as vezes que os nossos veículos se…