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CACHEADOS DE UM CARNAVAL







Quando eu morrer, quero morrer em meio a cabelos cacheados.

Será a melhor morte de todas.

No dia que eu desabar de um penhasco bem alto, que eu tente me salvar deslizando os dedos entre cacheados.

No dia que eu tiver uma parada cardíaca fatal e cair duro no meio da rua, que a minha alma, no impacto do corpo com o solo, seja amortecida por cacheados. 

No dia que um ex-namorado ciumento, de uma moça, me der um tiro certeiro no peito, em plena cama de um motel, que nesse momento eu esteja com o meu nariz emaranhado nos cacheados. 

Será a melhor morte todas.

No dia que um meteoro cair sobre a minha cabeça, que eu seja completamente esmagado e morra imediatamente. Mas, que se mantenha intacta a memória que cultivo com tanto amor pelos cacheados.
  
Ano que vem, no próximo Carnaval, espero mais "carnavais" debaixo dos caracóis dos seus cabelos. Que todo Carnaval, mesmo após o seu fim, seja cheio de mais e mais cacheados...feito os seus, moça da pele macia e sorriso largo.



- Cleydson Ramones


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8 DE MARÇO

Ah, se as mulheres...

Soubessem como é bom encontrá-las despenteadas, como ficam provocantes andando descalças pela casa e que não precisam fingir dor de cabeça.

Soubessem que o mais simples vestido em seu corpo se torna deslumbrante, que muita maquiagem esconde a essência e que versões editadas são chatas.

As, se as mulheres...

Soubessem como é hipnotizante vê-las lambendo os dedos após comer algo, como é gostoso apertar aquela carninha sobrando em seu cintura e que o natural também nos comove. 

Soubessem que apenas um sorriso seu é mais valioso que mil DR's de mil horas, como ficam atraentes quando usam um de nossos blusões e que as vezes menos é mais.

Ah, se as mulheres...

Soubessem como são sensuais ao ficarem na pontinha do pé para pegar a lata de ervilha em cima do armário. Soubessem como o perfume que exala diretamente de seus poros nos embriaga. Soubessem que elas por si só já nos fascinam.

Ah, se as mulheres soubessem. 



( Cleydson Ramones )





EM UM JURUNAS-MARAMBAIA

Vermelho, o sinal fechou!


Nossos veículos se emparelharam...
Eu no ônibus, voltando do trabalho e ela em um Palio azul, provavelmente voltando da escola, pois vestia um tipo de uniforme. Eu com meu fone de ouvido e ela com uma boneca no colo. Eu em pé, olhado a janela e ela sentada, olhando a janela. A mesma janela.

Verde! O sinal abriu! 


Meu ônibus andou três metros...

Chovia forte, engarrafamento enorme, ônibus lotado e um vendedor de guarda-chuva aos berros. Barulho da água caindo, barulho das buzinas, barulho das pessoas reclamando e um grito de "um é 20, dois por 30".


Vermelho de novo!


Novamente meu ônibus ficou lado à lado com aquele carro. Esta coincidência, naturalmente, trouxe dois sorrisos - um meu e um dela, a menina do Palio azul.

Ela apontou para os seus dois ouvidos, meio que perguntando sobre o meu fone que lhe chamou atenção. Sorri, fiz uma careta e apontei para sua boneca. Ela sorriu de volta, devolveu a careta, e assim foram todas as vezes que os nossos veículos se…

MINHA PUTA LITERÁRIA

Cada trecho escrito, um gemido
Cada letra no papel, um sussurro

Vontade de ir mais fundo,
até a última linha
De lhe tirar o fôlego, as palavras
De fazê-la provar cada gota da caneta
De usar suas costas feito um papel, 
e assinar o meu nome

Minha
Ela gosta de ouvir - minha
"Repete, por favor" - minha

A escrita relembrando nossas transas
é um momento de suspiro,
de gozo
Uma mão no lápis,
a outra na imaginação
E o seu corpo nu na cama
é como um livro aberto
na minha página favorita

Minha
Quero ouvir a tua voz - "sua"
Repete, gemendo - "sua".



( Cleydson Ramones )