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A DERROCADA DO AMOR VERDADEIRO



Ele é ator e escritor. Ela também atua e é musicista. Ambos muito talentosos. Lindos - especialmente no aspecto humano -, inteligentes, jovens, educados e bem educados. Um casal perfeito!

Ela "falava coisas sobre o Planalto Central" e "gostava de Van Gogh, dos Mutantes, de Caetano"...ele também! Ela falava coisas sobre os roteiros de teatro e gostava de literatura, cinema, poesia...ele também!

Só que diferentemente da canção da Legião Urbana, os gêmeos não vieram.

clarice e gregorio acabou


Se o amor acaba para Gregório Duvivier e Clarice Falcão, quem dirá para nós humanos "normais" que diariamente pegamos ônibus lotados, enfrentamos filas de banco, reviramos as cebolas e frutas no supermercado e disputamos a melhor vaga do estacionamento à tapas.

Com o fim de "Gregório & Clarice" não só o amor perde, mas também todos nós juntos: um casal inspirado torna-se o berço de criações artísticas sem limites ( Fernanda e John, Pato Fu, são prova disso ), pois essa flama é um transbordar que flerta com o infinito.

Será que esse ardor entre um casal é apenas algo químico, ou seja, já vem com prazo de validade? Seria culpa de nós homens, machos, animais, predadores-dominantes que não podemos ver um "rabo de sai" pela frente? Seria vocês mulheres que querem SEMPRE ter a razão? Eu apostaria na rotina. Maldita rotina!

Mas eles se davam tão bem.

A verdade é que mais uma vez fomos enganados pelo cinema Hollywoodiano. Um dos últimos recantos do amor acaba de se ruir diante de nossos olhos. Mas e aquela conversinha de que "Amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente..."? Camões, seu canalha, suma com o seu blá-blá-blá de minha frente, por favor, pois hoje estou de mal com o amor.

Que eu seja levado dessa vida antes da derrocada final desse sentimento tão puro e verdadeiro. Não quero estar aqui para ver, vivenciar e sentir novamente esse gosto tão amargo. O locutor do estádio vos pede um minuto de silêncio...

O amor está de luto.




( Cleydson Ramones )


                                                                                                     
                                                                                                             


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8 DE MARÇO

Ah, se as mulheres...

Soubessem como é bom encontrá-las despenteadas, como ficam provocantes andando descalças pela casa e que não precisam fingir dor de cabeça.

Soubessem que o mais simples vestido em seu corpo se torna deslumbrante, que muita maquiagem esconde a essência e que versões editadas são chatas.

As, se as mulheres...

Soubessem como é hipnotizante vê-las lambendo os dedos após comer algo, como é gostoso apertar aquela carninha sobrando em seu cintura e que o natural também nos comove. 

Soubessem que apenas um sorriso seu é mais valioso que mil DR's de mil horas, como ficam atraentes quando usam um de nossos blusões e que as vezes menos é mais.

Ah, se as mulheres...

Soubessem como são sensuais ao ficarem na pontinha do pé para pegar a lata de ervilha em cima do armário. Soubessem como o perfume que exala diretamente de seus poros nos embriaga. Soubessem que elas por si só já nos fascinam.

Ah, se as mulheres soubessem. 



( Cleydson Ramones )





MINHA PUTA LITERÁRIA

Cada trecho escrito, um gemido
Cada letra no papel, um sussurro

Vontade de ir mais fundo,
até a última linha
De lhe tirar o fôlego, as palavras
De fazê-la provar cada gota da caneta
De usar suas costas feito um papel, 
e assinar o meu nome

Minha
Ela gosta de ouvir - minha
"Repete, por favor" - minha

A escrita relembrando nossas transas
é um momento de suspiro,
de gozo
Uma mão no lápis,
a outra na imaginação
E o seu corpo nu na cama
é como um livro aberto
na minha página favorita

Minha
Quero ouvir a tua voz - "sua"
Repete, gemendo - "sua".



( Cleydson Ramones )



EM UM JURUNAS-MARAMBAIA

Vermelho, o sinal fechou!


Nossos veículos se emparelharam...
Eu no ônibus, voltando do trabalho e ela em um Palio azul, provavelmente voltando da escola, pois vestia um tipo de uniforme. Eu com meu fone de ouvido e ela com uma boneca no colo. Eu em pé, olhado a janela e ela sentada, olhando a janela. A mesma janela.

Verde! O sinal abriu! 


Meu ônibus andou três metros...

Chovia forte, engarrafamento enorme, ônibus lotado e um vendedor de guarda-chuva aos berros. Barulho da água caindo, barulho das buzinas, barulho das pessoas reclamando e um grito de "um é 20, dois por 30".


Vermelho de novo!


Novamente meu ônibus ficou lado à lado com aquele carro. Esta coincidência, naturalmente, trouxe dois sorrisos - um meu e um dela, a menina do Palio azul.

Ela apontou para os seus dois ouvidos, meio que perguntando sobre o meu fone que lhe chamou atenção. Sorri, fiz uma careta e apontei para sua boneca. Ela sorriu de volta, devolveu a careta, e assim foram todas as vezes que os nossos veículos se…