sábado, 18 de junho de 2016

EM UM JURUNAS-MARAMBAIA: NA PONTINHA DO PÉ




Acho tão encantador quando uma baixinha no ônibus se esforça para alcançar a corda do sinal. Seu corpo alonga-se, deixando o dorso completamente esticado. 

Na pontinha do pé, com a coluna toda ereta e mais o suave e doce deslizar da cintura na lateral de uma das cadeiras, para apoiar-se, faz seu bumbum arrebitar de maneira sublime. 

- Rapaz, podes puxar o sinal pra mim?

Agora, nesse momento tão especial de minha vida, queria que ela me pedisse qualquer coisa do mundo, menos isso. Não quero perder esta cena tão mágica que nem Michelangelo, Rodin, Donatello e Van Gogh, juntos e no auge de seus talentos, seriam capazes de reproduzir ou moldar. Inexiste arte maior que as linhas e traços do corpo feminino. A prova concreta que Deus existe está justamente nas curvas da mulher - apenas mãos divinas seriam capazes da perfeição de tal obra. 

- Puxe você mesma, moça. Vai, você consegue.
(em tom de sussurro)

Na pontinha de sua "Melissa" amarela, com o charme e a leveza de uma bailarina em equilíbrio, ela impulsionou os seus delicados pés, movimentou o quadril, estufou o peitoral, mordeu a ponta dos lábios, mirou a cordinha e deslizou seus dedos acariciando aquele pedaço de barbante, cujo meu desejo é que fosse os fios de minha barba. 

Ela não teve medo, e puxou. Não caiu, pois meus olhos ajudaram a segurar o seu corpo enquanto ela flutuava em direção à corda, feito uma borboleta no ar. 

Espero que o motorista tenha problema de surdez. Assim, ela terá que repetir tudo novamente. 

- Motoristaaaaa! Eu puxei o sinal 3 vezes. 



Cleydson Ramones