domingo, 21 de agosto de 2016

LACRADORA, PODEROSA, FÊMEA ALFA




O auge da atuação é quando ela entra na cabeça do espectador e instala uma confusão entre o palco e a realidade.

A Elke foi tão brilhante que confundiam se ela era mesmo uma mulher. Nasceu moça, mas, justamente por ser uma artista de verdade, nunca precisou dar satisfação. Viveu o "ser artista" na essência. 

"Eu nunca fui mulher, sempre fui uma pessoa...trepei e pronto"

Enquanto o Brasil andava para trás ao discutir a sexualidade de Elke, ela simplesmente gozava. Pra que perder tempo, hein?

Vai chegar o dia em que não existirá mais gêneros ou a preocupação com eles. Todos terão liberdade plena para transitar entre homem, mulher, bissexual, travesti e etc. Aliás, haverá um único gênero...o gênero do prazer.  

Mas povo conservador, podem ficar tranquilos que isso é coisa para futuras e avançadas gerações. No momento, Elke Maravilha era uma das pouquíssimas à frente de seu tempo.

O palco perde um raro talento, a sociedade uma cabeça pensante ímpar e o arco-íres uma de suas cores mais intensas.  

A sutileza de transgredir com um sorriso no rosto, essa era ela. 




- Cleydson Ramones